Quem a bancada evangélica apoia para presidente?

Numa discussão com um amigo sobre Marina argumentei que ela não tinha muita proximidade à bancada evangélica. Meu amigo disse: “Sua proximidade com a bancada é tão grande que todos indicam voto nela.”

Todos indicam voto nela? Opa, é o tipo de fato que pode ser facilmente checado! Derrubar esse argumento é muito fácil, na verdade, já que praticamente todos os maiores expoentes da bancada evangélica, tais como Garotinho, Marcelo Crivella e Eduardo Cunha são aliados de Dilma e estão fazendo campanha para a reeleição da presidenta.

Garotinho foi um dos principais opositores ao que ficou conhecido como “kit gay”, um kit de vídeos e apostilas para educar crianças sobre a diversidade de orientações sexuais e contra a homofobia. É aliado de Dilma há bastante tempo, fez campanha com ela em 2010, está com ela novamente agora em 2014.

O Bispo Marcelo Crivella é outro grande expoente dos fundamentalistas da bancada evangélica – digo um dos fundamentalistas porque nem todos os evangélicos são fundamentalistas, o que devia ser óbvio. Desde 2010, Crivella apoia Dilma. Foi Ministro do governo Dilma e faz comícios com ela no Rio. O engraçado é que ele também é candidato a governador no Rio e também é apoiado e apoia Dilma. Dilma apoia os 4 principais candidatos ao governo do Rio, dois deles líderes dos fundamentalistas da bancada evangélica.

Eduardo Cunha é o patinho feio dos aliados de Dilma. Depois de várias rusgas no congresso, Dilma e ele não andam muito felizes um com o outro. Mesmo assim, Cunha é oficialmente apoiador da reeleição e não declarou voto em Marina, ponto pra mim.

Marco Feliciano declarou voto em Pastor Everaldo, mas já vem dizendo que votaria em qualquer um que não seja Dilma, Marina inclusive,  num eventual segundo turno. Não acho que isso sirva como indicar voto em Marina, então não concedo ponto ao meu amigo aqui.

Também é bom lembrar que em 2010, mesmo com Marina no páreo, Marco Feliciano não só declarou voto em Dilma, como fez campanha para ela ativamente. Deve ficar claro com tudo isso que a religião de Marina não é o grande fator que define esse eventual voto de Feliciano num segundo turno.

Enfim, quem são esses todos que indicam voto em Marina? Como no caso dos argumentos que trouxe em outros textos, essa ideia de que Marina é mais próxima da bancada evangélica que Dilma me parece vir de preconceito religioso. Marina é religiosa, então obviamente defende os fundamentalistas. Só que não.